Como a Big Data pode ajudar empresas a encontrar talentos

Como a Big Data pode ajudar empresas a encontrar talentos

Na atual situação do mercado, as entrevistas de emprego estão cada vez mais concorridas. Os entrevistadores hoje precisam saber lidar com candidatos dos mais diversos perfis e diferentes níveis de qualificação. E ao mesmo tempo e quem tentam recrutar os melhores talentos do mercado, as organizações também precisam trabalhar para reter os seus atuais empregados.

Diante dessa situação, os contratantes estão apostando em ferramentas que os ajudam e detectar os melhores perfis, mudando assim a dinâmica das contratações. Segundo uma pesquisa realizada pelo site Software Advice, a maioria dos candidatos realizam consultas online para conseguir informações sobre as vagas antes de apostar nas novas oportunidades. Nessas pesquisas os candidatos podem ver informações sobre salários de forma anônima, análise da cultura e dos valores de uma empresa, equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal oferecidos e oportunidades de progresso na carreira. Da mesma forma, a qualidade da administração de uma empresa está se tornando um fator cada vez mais decisivo para que os funcionários permaneçam em suas organizações atuais. Uma pesquisa realizada pela Gallup revela que quase metade dos funcionários deixou o emprego por causa de má administração e que 70% da variação no desempenho da equipe depende do líder.

Mas isso não é algo totalmente ruim para os empregadores. Hoje é possível ter acesso uma grande quantidade de dados que, se usados ​​adequadamente, podem ser uma ferramenta poderosa para atrair os melhores talentos, além de conseguir aproveitar ao máximo o seu desempenho e os manter na empresa por um bom tempo. Os dados podem ajudar as empresas a serem mais precisas no processo de contratação, encontrando os candidatos mais adequados, comparando e transmitindo sua gestão superior aos candidatos durante todo o processo de recrutamento. Além disso, é possível também identificar e corrigir as fraquezas entre os gerentes que podem estar levando à não contratação ou baixo engajamento de funcionários.

Encontrando os melhores candidatos

A transparência está se tornando um valor cada vez mais importante no processo de contratação. Os empregadores querem saber que estão contratando candidatos interessados ​​na empresa, qualificados para o cargo e com baixo risco de abandono. Por outro lado, os candidatos querem saber que estão entrando em uma posição que está alinhada com as suas habilidades e plano de carreira, e que o local de trabalho oferece uma boa cultura e gerenciamento engajador. Os empregadores podem ter mais transparência usando dados para encontrar os candidatos que se encaixam melhor nos seus pré-requisitos.

Mas como isso é feito? Utilizando a automação e big data. Antes as empresas tinham pouco para orientá-las sobre o risco de saída de um potencial candidato. Agora, ferramentas integradas com inteligência artificial e capacidades analíticas profundas podem analisar os dados sobre os funcionários atuais da sua empresa – incluindo suas experiências anteriores, habilidades e realizações mais recentes – para encontrar os melhores candidatos com base nas decisões de contratação anteriores. Além dos próprios dados corporativos, a IA pode analisar dados de toda a indústria para criar um perfil que pode ser aplicado a currículos de seleção, exibindo candidatos com base em pré-requisitos e criando uma lista de candidatos qualificados para cada vaga.

Encontrando a fonte da baixa retenção

Uma pesquisa realizada pela ADP mostra que 61% dos trabalhadores estão procurando por novas oportunidades. Mas qual é a principal razão que os leva a isso? Na grande maioria dos casos isso é motivado por um relacionamento ruim com seu gerente direto. Isso aponta para um problema que prejudica a retenção de talentos. Ainda hoje, muitas empresas não organizam seus esforços de recrutamento pensando no fato que os funcionários não largam os empregos, eles largam os gerentes.

Estamos chegando rapidamente a um futuro em que a Big Data poderá medir o que antes era desconhecido – comparando a qualidade do gerenciamento com os padrões da indústria. Ao coletar dados sobre retenção, engajamento, desempenho e atrito entre as equipes, as empresas podem determinar se os seus gerentes atendem, excedem ou ficam aquém do benchmark.

A qualidade de um bom gerente pode ser medida pelo engajamento e retenção entre os membros de sua equipe, e até mesmo as métricas de negócios mais complexas que indicam o desempenho da sua equipe, como retornos financeiros e satisfação do cliente. Comparando isso com dados da indústria, é possível descobrir que o engajamento entre equipes com determinados gerentes está bem acima da média do setor. E isso pode ser transmitido aos candidatos durante o processo de recrutamento e contratação, usando como base as suas principais motivações.

Gerentes que trabalham com dados são um diferencial

Levando em consideração que muitas coisas dependem do relacionamento entre funcionário e gerente, é importante garantir que os líderes de equipe sejam simpáticos, prestativos e investidos no desenvolvimento daqueles que gerenciam. O problema é: as análises qualitativas de desempenho não são suficientes. Nem sempre os gerentes têm tempo disponível para cuidar das principais necessidades do negócio e ainda garantir que os membros de sua equipe tenham o suporte necessário. Mas com as ferramentas certas, essa tarefa se torna mais simples.

Os dados e a análise preditiva podem ajudar os gerentes a terem percepções acionáveis ​​de ponta-a-ponta, ajudando-os a entender como oferecer melhor suporte aos membros da sua equipe. Por exemplo, a inteligência alimentada por dados pode identificar quando um membro da equipe está prestes a sair, seja por estar em seu cargo por tempo demais ou por estar ficando “esgotado”. Essas informações podem sinalizar a um gerente para prestar uma atenção mais específica a esse membro da equipe, oferecendo novas atribuições ou desenvolvendo mais check-ins regulares com o funcionário não engajado.

Outra situação que pode ser evitada é a demissão conjunta. É possível investigar, usando ferramentas de análise de dados, para monitorar e ajudar a prever essas situações antes que seja tarde demais. Com elas você pode descobrir que um grupo de pessoas subordinadas a um gerente estão muito acima do benchmark do setor para esse departamento, o que leva a um baixo engajamento e retenção. Ou que os estilos de gerenciamento diferem muito entre as equipes de alta e baixa rotatividade, mostrando o caminho de como um estilo pode ensinar ao outro. Isso dá às empresas uma oportunidade de corrigir o problema, ajustando os planos de pessoal, bem como abordando quaisquer outros pontos discrepantes estatísticos entre os gerentes.

A análise de big data, antes considerada uma novidade, agora é comum. E elas podem beneficiar tanto os candidatos a emprego quanto os empregadores. Agora, empresas de qualquer porte podem aproveitar dados que talvez nem tivessem percebido que eram úteis no passado para obter uma vantagem competitiva no mercado de trabalho. Aqueles que aplicam suas estatísticas de engajamento interno, perfis de funcionários e dados de gerenciamento ao mercado de trabalho podem mais facilmente obter, proteger e sustentar talentos que sejam adequados para os seus negócios, não tendo que passar por uma crise perdendo membros da equipe nos momentos em que eles são mais necessários.

Roberto Miranda